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Gravidez na Adolescência e Partos Cesáreos

A proporção de casos de gravidez na adolescência no Estado é uma das menores do Brasil

A gravidez precoce é, freqüentemente, uma situação de risco para a saúde da mãe e do feto. É muito importante avaliar a saúde física e mental da adolescente, pois, normalmente, os casos de gravidez em mulheres com menos de 20 anos não são planejados e, não raro, resultam na busca por aborto ou no abandono do filho. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde - OMS, aproximadamente um terço das mulheres que buscam atendimento hospitalar por complicações de abortos são adolescentes, o que aumenta o risco de mortalidade materna nesta faixa etária.

A proporção de casos de gravidez na adolescência no Rio Grande do Sul é uma das menores do Brasil. Em 2015, segundo o DATASUS, era de 14,54%  a proporção de nascidos vivos de mães com menos de 20 anos de idade, enquanto a média do Brasil era de 18,15%. Entre as unidades da federação, o RS está na 24ª colocação, superado apenas por Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal com, respectivamente, 14,29%, 13,82% e 12,31%.  Em 2016  o indicador atingiu 14%, segundo a Secretaria de Saúde do Estado, confirmando a tendência de queda já observada desde 2000.

Outro aspecto importante da saúde materna e neonatal é a proporção de partos cesáreos¹. No Brasil, as taxas são extremamente elevadas em todas as regiões, bem acima do preconizado pela OMS, que, já em 1985, defendia taxas entre 5% e 15%, proporção essa reiterada em estudo mais recentes. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)², a cesariana, quando indicada desnecessariamente, acarreta riscos à saúde da mãe e do bebê: aumenta em 120 vezes as chances de problemas respiratórios no recém-nascido e triplica o risco de morte da parturiente durante o procedimento e devido à infecção puerperal.  Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão associados à prematuridade³ desencadeada pelas cesáreas programadas.

No Brasil, em 2015 o percentual de partos cesáreos era de 55,5%, enquanto que no Rio Grande do Sul, o quinto no ranking entre as unidades da federação, chegava a 61%, bem superior à taxa brasileira. A proporção de cesarianas se mostrou crescente ao longo do período de 2000 a 2014, tendo atingido, no Estado, a proporção máxima de 63%, em 2014. A queda de dois pontos percentuais de 2015 em relação ao ano anterior  foi observada em vários outros estados do país e também na média nacional. Conforme o Ministério da Saúde, a redução dos números de partos cesários é consequência de medidas como a implementação de políticas públicas como a da Rede Cegonha e investimentos em centros de Parto Normal; a qualificação das maternidades de alto risco; a maior presença de enfermeiras obstétricas durante o parto e a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar junto às operadoras de planos de saúde. 

¹ Cesarianas são procedimentos cirúrgicos idealizados e praticados visando o alívio de condições maternas ou fetais, quando há risco para a mãe, para o feto, ou ambos, durante o trabalho de parto e, em algumas situações específicas, fora dele.
² A ANS publicou resolução para estimular  o parto normal na saúde suplementar em 07/01/2015.
³ Prematuridade é definida pela OMS como nascimento antes de 37 semanas de gestação.

Percentual de partos de mães com menos de 20 anos de idade no RS no período 1997-2016
Percentual de partos de mães com menos de 20 anos de idade no RS no período 1997-2016

Fonte: DATASUS/SINASC

Percentual de partos cesáreos no RS no período 1996-2015
Percentual de partos cesáreos no RS no período 1996-2015
Fonte: DATASUS/SINASC

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